FederUnacoma trabalha com a perspectiva de nova geografia dos mercados de máquinas agrícolas

“Variáveis ​​geopolíticas e econômicas estão afetando o desempenho do setor agromecânico, que encerra 2025 com um declínio nos mercados tradicionais. O crescimento da Índia continua, com vendas superiores a um milhão de unidades.” Essa declaração sobre os cenários para a agricultura e máquinas agrícolas resume a visão de Mariateresa Maschio, presidente da FederUnacoma, federação dos fabricantes de máquinas agrícolas da Italia, responsável pela organização da EIMA,  segunda maior feira de máquinas agrícolas realizada bienalmente em Bologna. O tema, que norteou a coletiva de imprensa da EIMA, realizada janeiro, e também estará no centro da próxima exposição, em consonância com a vocação internacional do evento, que acontece de 10 a 14 de novembro, em Bologna.

O cenário apresentado por Maschio – e secundado por Simona Rapastella, diretora-geral da federação – é dual: enquanto a demanda global é potencialmente elevada; a conjuntura econômica e geopolítica “está desacelerando os fluxos comerciais e afetando o desempenho do setor. Políticas protecionistas em alguns países, sanções econômicas, interferência nas rotas comerciais e guerras tarifárias levaram à fragmentação do mercado e a uma forte desaceleração do comércio, com reflexos no desempenho do setor agromecânico.”

Os dados atualmente disponíveis pela FederUnacoma relativos a 2025 indicam queda nas vendas nos mercados tradicionais. “Os Estados Unidos, afetados por novas barreiras tarifárias, fecham o ano com uma queda de 10%, com 196.000 tratores vendidos (217.000 em 2024), marcando o pior resultado dos últimos treze anos. A Alemanha também está em queda (-12,2%, com cerca de 26.000 unidades registradas), assim como a França (-14%, com 24.000 unidades até novembro) e o Reino Unido (-14,2%, com 9.000 unidades)”, comentam as executivas, informando que “sinais de recuperação vêm da Itália e da Espanha: a Itália encerra o ano com mais de 17.500 emplacamentos e um crescimento de 17,3%, enquanto a Espanha cresce 29,3%, com cerca de 10.000 tratores (dados de novembro). O mercado indiano continua em ascensão, atingindo um recorde histórico nos últimos doze meses, com cerca de 1,1 milhão de tratores (+20,9% em comparação com 2024), confirmando sua posição como o principal mercado mundial em número de unidades adquiridas.”

A contração do mercado agromecânico – como reforça Maschio – deriva de fatores cíclicos e não a uma queda real na demanda, que continua potencialmente muito alta: “Nos últimos quinze anos, a produção no setor primário cresceu significativamente, mas para atender às necessidades da população mundial, terá de crescer mais 14% até 2034, especialmente na Índia e nos países do Norte da África, África Subsaariana e Oriente Médio, que estão experimentando o maior crescimento demográfico. “Isso somente será possível por meio de uma maior difusão da mecanização e das tecnologias digitais aplicadas a ela”.

O quadro apontado leva a presidente da Federação a entender que uma “nova geografia da produção agrícola está tomando forma e, com ela, uma nova geografia do comércio global de máquinas agrícolas. Paralelamente à recuperação do comércio — estimada em cerca de 1,9% ao ano durante o período de quatro anos entre 2026 e 2029 (atingindo € 92,5 bilhões até o final do período) e que deverá envolver todas as principais macroáreas do planeta — a África Subsaariana (+4,8%), a Ásia (+3,8%) e a América Latina (+2,9%) deverão registrar os aumentos mais significativos. Nesse cenário, novos atores estão surgindo e expandindo suas participações de mercado. Os fabricantes chineses são hoje os principais fornecedores para a África Subsaariana (35% de participação de mercado) e Ásia (41%), detêm posições significativas na América Latina (17,4%) e também estão ganhando espaço em um mercado avançado como a Europa (9,3%).”

A prespectiva para os próximos anos apontada por Maschio é marcada por questões, cenários e desafios de grande importância, a exemplo de um setor agromecânico “altamente segmentado, com tecnologias básicas de baixo custo ao lado de tecnologias altamente avançadas para operações complexas. Também precisaremos promover políticas setoriais específicas, com incentivos para atividades de pesquisa e para a compra de máquinas, e políticas econômicas mais amplas capazes de liberalizar o comércio e relançar a cooperação entre os países.”