No processamento de grãos, silos, portos, fábricas de ração, indústrias químicas, entre outros exemplos, a poeira combustível e os gases e vapores não representam apenas sujeira ou resíduos operacionais; constituem combustíveis em potencial. A combinação entre poeiras combustíveis em suspensão (como milho, soja ou trigo), oxigênio do ar e uma simples faísca elétrica ou superfície aquecida gera a equação perfeita para uma explosão catastrófica.
Apesar do alto risco, é comum observar instalações que utilizam componentes elétricos e sensores industriais não certificados, sob a falsa premissa de redução de custos.
Como prevenção, é fundamental desmitificar o papel da certificação de produtos para uso em atmosferas potencialmente explosivas, detalhar as normas vigentes e demonstrar como soluções especializadas — como as oferecidas pela Steute e pela Electro-Sensors — protegem vidas, infraestruturas e a continuidade operacional. Ou seja, segurança não é custo, e investimento é sobrevivência operacional.
As zonas Ex: classificação e riscos
A classificação de áreas é o primeiro passo para a segurança funcional. O procedimento valida as condições operacionais, os tipos de materiais e a incidência/presença das poeiras e ou gases e vapores combustíveis.
Com isso, é possível identificar as áreas sujeitas a gases e vapores inflamáveis e a poeiras combustíveis em zonas:
| Tipo de Atmosfera | Zona Ex | Frequência e Duração da Atmosfera Explosiva | Exemplo Típico na Planta |
| Gases / Vapores | Zona 0 | Presente continuamente ou por longos períodos. | Interior de tanques de combustível ou reatores químicos. |
| Zona 1 | Provável de ocorrer em condições normais de operação. | Arredores de bocais de enchimento ou bombas de transferência. | |
| Zona 2 | Anormal ou de curta duração (em caso de falha/vazamento). | Áreas periféricas de armazenamento de solventes. | |
| Poeiras Combustíveis | Zona 20 | Nuvem de poeira contínua ou frequente no ar. | Interior de dutos de exaustão, moagem ou interior de silos. |
| Zona 21 | Frequente em operação normal. | Pontos de descarga, ensacamento ou próximo a elevadores de caneca. | |
| Zona 22 | Ocorrência rara e de curta duração. | Áreas ao redor de transportadores selados de grãos ou ração. |
No agronegócio e nas indústrias que utilizam materiais particulados (farinhas, açúcar, minérios etc.), há as Zonas 20, 21 e 22. Nelas, as poeiras finas acumuladas sobre a carcaça de um motor ou um sensor de baixa qualidade, não projetado para uso em áreas classificadas, podem gerar ignição por aquecimento estático ou por arco elétrico, por exemplo.
Certificações globais e normas brasileiras (Inmetro, ATEX e IECEx)
A conformidade regulatória não é apenas formalidade; é a validação de que um equipamento foi projetado para conter ou evitar uma ignição.
- ATEX / IECEx: A diretiva europeia ATEX (do francês do francês ATmosphères EXplosibles) e o sistema internacional IECEx harmonizam os padrões globais de fabricação para equipamentos instalados em áreas classificadas.
- Normas brasileiras e certificação Inmetro (Portaria 115/2022): No Brasil, a utilização de componentes certificados, para uso em áreas classificadas é compulsória, conforme dita a portaria 115/2022, com a adoção das normas da séria ABNT NBR IEC 60079. Para que um “equipamento Ex” seja legalmente instalado no País, ele precisa ser certificado por um organismo de certificação de produtos (OCP) acreditado pelo Inmetro, garantindo sua conformidade com as normas vigentes.
Consequências práticas e legais da não conformidade
Substituir um dispositivo “Ex” por um modelo convencional expõe colaboradores e a instalação a riscos de acidentes graves, falhas operacionais custos jurídicos severos, tais como risco de catástrofe e perda humana, responsabilidade civil e criminal, interdições e multas regulatórias e recusa do seguro.
Risco de catástrofe e perda humana: Uma explosão primária dentro de um elevador de canecas, por exemplo, pode suspender poeira depositada no chão, gerando explosão secundária que devasta instalações inteiras.
Responsabilidade civil e criminal: Em caso de incidentes com equipamentos não homologados, os responsáveis pela unidade podem responder por negligência e homicídio culposo.
Interdições e multas regulatórias: Fiscalizações do Ministério do Trabalho e de órgãos ambientais podem paralisar as operações e aplicar sanções pesadas.
Recusa do seguro: As seguradoras negam o pagamento de apólices e indenizações caso seja comprovado o uso de componentes não aptos em áreas classificadas (sem a devida certificação Ex).
Frente ao exposto, garantir que a unidade produtiva esteja devidamente mapeada e equipada com componentes “Ex” certificados de acordo com as normativas vigentes é um compromisso direto com a integridade das pessoas e a longevidade do negócio.
Soluções de alta tecnologia: o portfólio Ex da Steute e da Electro-Sensors
A escolha do componente correto para monitoramento e controle é a garantia de operação contínua e segura. A Steute e sua parceira Electro-Sensors oferecem soluções consolidadas no mercado global para ambientes agressivos e com risco de explosão.
A integração dessas soluções em ambiente com atmosferas potencialmente explosivas elimina pontos cegos de segurança no monitoramento de transporte de granéis e processos industriais. Proteger a planta de explosões é uma decisão preventiva que custa uma fração do valor de uma parada não planejada ou de uma tragédia anunciada.
A Steute desenvolve chaves e sensores projetados especificamente para uso em ambientes extremos e áreas classificadas, garantindo durabilidade e confiabilidade operacional.
Entre as soluções disponibilizadas estão:
- Chaves de emergência por cabo (linha Ex ZS 92 S): São essenciais para a paralisação imediata de correias transportadoras de grande porte em caso de anomalia operacional, reduzindo os riscos a operadores e ao equipamento, com invólucro de altíssima resistência.
- Chaves de desalinhamento de correia (linha Ex ZS 92 SR): Monitoram continuamente a trajetória da correia transportadora, prevenindo o desalinhamento e/ou o deslocamento lateral e aumentando a disponibilidade de operação dos transportadores.
- Sensores de segurança e chaves fim de curso Ex: Com alto grau de proteção, esses componentes são desenvolvidos para suportar vibração severa, poeira densa e variações bruscas de temperatura sem desgaste de contato.
A Electro-Sensors, por sua vez, é especializada em monitoramento de máquinas em setores severos, como poerias e grãos. Em seu portfólio estão:
- Sensores de velocidade e chaves de subvelocidade à prova de explosão (dust-ignition proof): Detectam o patinamento ou o travamento de eixos em elevadores e roscas transportadoras antes que o atrito gere uma fonte de ignição.
- Sensores de temperatura de mancal: Acompanham a elevação térmica em rolamentos e eixos em áreas com atmosferas de poeira combustível Class II / Zonas 20, 21 e 22.

