Em muitos cenários, o custo total de instalação de um sensor não está na peça em si, mas na infraestrutura para protegê-la: infraestrutura de conduítes, tubulações rígidas, selagens à prova de explosão e metros de cabos especiais. Quando essa estrutura falha, a manutenção é lenta, cara e pode interromper linhas críticas de produção. Nesse sentido, onde cabear é impossível, o wireless é a solução.
Encaixam-se nessas condições o ambiente agrícola e as indústrias de processamento no campo (como usinas de açúcar e etanol, silos e beneficiadoras de grãos). Nesses cenários operacionais estão presentes poeira explosiva, produtos químicos agressivos e umidade extrema, é detectada vibração contínua e registrado ataque constante de roedores. Essas características tornam esses ambientes extremamente severos para a infraestrutura de automação e, por decorrência, o cabeamento tradicional consiste em um dos principais pontos de falha no setor.
A tecnologia wireless da Steute
Para ambientes onde redes comerciais (como Wi-Fi ou Bluetooth) falham devido a interferências, alcance reduzido ou alto consumo elétrico, a solução está na linha de componentes sem fio da Steute, que foi projetada especificamente para ambientes industriais e agrícolas agressivos e hostis.
Entre os diferenciais dessas soluções, a empresa destaca protocolo e frequência de operação, autoalimentação, alcance e confiabilidade e capacidade integrativa.
- Protocolo e frequência: Operando principalmente na frequência de 868 MHz ou 915 MHz (dependendo da região), o protocolo proprietário swave® evita a saturação da faixa de 2.4 GHz e oferece maior capacidade de penetração em estruturas metálicas e barreiras físicas.
- Autoalimentação (energy harvesting): Diversos atuadores e chaves da linha utilizam o próprio movimento mecânico para gerar a energia necessária para enviar o sinal RF (princípio eletrodinâmico), eliminando baterias e a necessidade de manutenção preventiva para troca de pilhas. Para dispositivos de monitoramento contínuo, são utilizadas baterias de lítio industriais com vida útil prolongada, de até 10 anos.
- Alcance e confiabilidade: Em campo aberto, o alcance atinge até 450 metros. Em ambientes fabris ou com alta densidade de estruturas metálicas, o alcance médio varia entre 30 e 50 metros. O sistema conta com checagem de transmissão via protocolo seguro (acknowledge), garantindo que o status do dispositivo seja confirmado pela central/gateway.
- Integração: Os gateways e receptores da Steute convertem o sinal de rádio diretamente para as principais redes industriais do mercado (Modbus, Ethernet/IP) ou saídas relé/digitais simples para CLP.
Aplicações práticas no setor agro
A tecnologia wireless da Steute encontra aplicação em silos e espaços de armazenamento de grãos, pontes rolantes e descarregadores de grãos (tombadores), áreas classificadas em usinas de açúcar e etanol, e sistemas de irrigação e válvulas distantes, entre outros.
- Silos e armazenamento de grãos: Monitoramento do status de escotilhas, válvulas gaveta e portas de inspeção localizadas no topo de silos elevados, onde o custo de subir eletrocalhas e tubulações é desproporcional.
- Pontes rolantes e descarregadores de grãos (tombadores): Sensores posicionados em partes móveis e articuladas evitam o estresse mecânico severo e a quebra de cabos flexíveis expostos a vibração contínua.
- Usinas de açúcar e etanol (áreas classificadas, por exemplo): Utilização de chaves de fim de curso e botões sem fio certificados para zonas com poeira combustível (grãos/bagaço) ou atmosferas explosivas, eliminando a passagem de cabos selados Ex.
- Sistemas de irrigação e válvulas distantes: Acionamento e verificação de posição de válvulas de campo ou portas de segurança operadas manualmente em locais isolados da planta.
Quando o wireless é a escolha certa, e quando não é
A Steute reconhece que nem sempre o wireless é uma melhor escolha melhor do que o cabeamento. Sendo assim, em alguns casos prioriza a soluções cabeadas.
No primeiro caso, a indicação de soluções wireless é apropriada quando o custo da infraestrutura (tubulações, cabos especiais, mão de obra) supera o valor dos próprios sensores, ou quando o sensor precisa ser instalado em peças móveis, articuladas, giratórias ou de difícil acesso. O mesmo acontece em casos de retrofit, quando parar a planta para passar tubulação inviabilizaria o projeto, e em ambiente com agentes agressores específicos para o isolamento do cabo, tais como roedores, produtos químicos e atrito.
Entre as situações em que o cabeamento deve ser mantido, a equipe técnica da Steute cita aplicação que exige sinais analógicos contínuos de altíssima amostragem, a exemplo de loop de controle em tempo real de milissegundos. Lista também situações em que o ponto a ser monitorado fica próximo ao painel principal, pode ser facilmente acessado, sem obstáculos, e já conta com infraestrutura existente.
Uma outra possibilidade para a preferência pelo cabeamento envolve aplicação que exige malha de segurança crítica (E-stop / Safety), em que a regulamentação local exija vínculo físico direto, salvo quando utilizados sistemas Wireless Safety dedicados.
Estudo de Caso
Monitoramento em descarregador de caminhões (tombador)
O Problema: Em uma grande beneficiadora de grãos no Centro-Oeste, o descarregador de caminhões sofria paradas não planejadas semanais. Os cabos móveis que levavam os sinais dos sensores de posição da plataforma para o painel principal rompiam constantemente devido à rotação e à vibração mecânica contínua. Além disso, a poeira de grãos no local exigia componentes de alta vedação.
A Solução: Substituição das chaves mecânicas de limite cabeadas por chaves de fim de curso wireless Steute (grau de proteção IP67 e certificação para poeira), com receptor instalado no painel de comando do operador.
O Resultado: por falha de cabo no ciclo de descarga; redução de 85% no tempo de instalação em relação à substituição da esteira porta-cabos; e retorno do investimento (ROI) alcançado em menos de 45 dias operacionais devido à eliminação do downtime da moega.
Comparativo cabeado versus wireless por aplicação
| Aplicação / Cenário | Cabeamento | Wireless Steute (swave®) | Recomendação |
|---|---|---|---|
| Partes Móveis e Rotativas (Ex: tombadores, carretéis) | Desgaste constante, fadiga de cabo, paradas frequentes por rompimento. | Sem atrito mecânico no meio de transmissão, manutenção zero no meio de sinal. | Wireless |
| Locais de Difícil Acesso / Altos (Ex: topo de silos) | Alto custo de mão de obra, tubulação cara e manutenção perigosa em altura. | Instalação simplificada por fixação direta e rápido comissionamento. | Wireless |
| Malha de Segurança Integrada (Safety SIL3 / PLe) | Padrão consolidado, arquitetura redundante direta com relés e CLPs de segurança. | Exige análise rigorosa de risco; soluções sem fio de segurança existem, mas são específicas. | Cabeado |
| Sinais Analógicos Contínuos de Alta Velocidade | Alta taxa de amostragem sem latência sensível. | Maior consumo de energia; o foco do wireless costuma ser sinais discretos/eventos. | Cabeado |
| Retrofit em Plantas Antigas | Exige rasgar infraestrutura, passar novos conduítes e parar a produção. | Adição rápida de pontos de monitoramento sem impacto na infraestrutura existente. | Wireless |

